Ela aprendeu a viver quando descobriu que podia não ter tempo.
Han Sora sempre soube como as coisas deveriam funcionar.
Horários certos. Distâncias seguras. Emoções sob controle.
Até a terça-feira em que o universo errou de endereço.
Um diagnóstico cardíaco. Progressivo. Sem garantias.
Sora não chora.
Não conta para ninguém.
Não perde o controle.
Ela faz uma lista.
Coisas que preciso fazer antes de-
E para por aí.
Porque ainda não sabe como terminar a frase.
O plano era simples: continuar como sempre.
Mas então Kang Junho senta na mesa dela na biblioteca - sem pedir licença, sem aviso, sem entender que aquela mesa não era compartilhável.
Ele traz um copo d'água.
Fica quando fica difícil.
E, de alguma forma, começa a ocupar um espaço que Sora passou anos protegendo.
Sem promessas.
Sem grandiosidade.
Só presença.