Aos sete anos, Lucas levantou-se durante a noite, cruzou o corredor em silêncio e deteve-se diante da porta das traseiras com a mão na maçaneta. Lá fora, o vento sacudia os choupos. Lá dentro, algo no âmago do corpo impelia-o em direção ao campo com uma clareza que ainda não tinha nome.
Não abriu a porta naquela noite. Demorou vinte e cinco anos a fazê-lo.
A Máscara do Lobo é a história desse caminho: a de um homem que cresceu no noroeste patagônico sabendo que havia algo em si para o qual o mundo não tinha categoria, e que aprendeu, devagar e a duras penas, a ser o que sempre fora sem pedir desculpa. Uma memória sobre o corpo que sabe antes da cabeça, sobre a máscara que se constrói para sobreviver e o longo processo de começar a retirá-la.
Uma história sobre identidade, instinto e a fronteira entre o humano e o selvagem.