Quando a linguagem adoece, o mundo começa a esquecer a própria voz.
Em um futuro próximo, um símbolo surge nas telas do planeta: quatro triângulos convergentes, luminosos, hipnóticos, impossíveis de ignorar. Primeiro aparece como curiosidade. Depois como aplicativo, ritual, score, moeda afetiva e sistema de confiança.
Seu nome é Alvor.
Criado para organizar vínculos, medir reputações e transformar participação em valor social, Alvor promete conforto, prazer, segurança e pertencimento. Mas, à medida que seus selos passam a definir quem pode acessar serviços, circular, falar, ser ouvido ou desaparecer dos registros, a sociedade descobre que nem toda prisão precisa de muros.
Lucas Andrade, o programador que ajudou a escrever as primeiras linhas do sistema, tenta inserir uma porta de saída no próprio código. Sofia Petrov, silenciada pela reputação algorítmica, encontra refúgio nas vozes clandestinas da darknet. Chinwe, em Makoko, preserva memórias, corpos e linguagens que o sistema não consegue traduzir. Ao redor deles, artistas, mães, linguistas, hackers, crianças e fantasmas digitais começam a criar rotas de fuga onde o algoritmo só vê erro.
A Janela de Alvor é um romance distópico e visionário sobre inteligência artificial, linguagem, memória, controle social e resistência humana.
Uma história fragmentária sobre o que acontece quando o futuro tenta apagar o passado - e descobre que algumas vozes não podem ser indexadas, silenciadas ou previstas.
Livro Um de A Janela de Alvor.